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  • Foto do escritor: Gabriel
    Gabriel
  • há 10 horas
  • 5 min de leitura
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loremipsum

algum dia em meio à semana que começou em 25.08

chuva/porto alegre


Na semana que passou a gente, no Viracasacas, sofreu com uma medida absolutamente inexplicável e arbitrária por parte do Spotify que simplesmente deletou - deletou/deletado, do verbo escafeder-se, estilo: morreu - quase 70 episódios nossos. Não foi oferecida justificativa para além de uma mensagem de email um tanto vaga (ocorreu o mesmo com alguns outros podcasts), e uma série de questionamentos absolutamente formais e civilizados por parte do Felipe, meu colega, frente à plataforma acarretou em mais ameaças veladas, no apagamento também dos outros arquivos do outro podcast que mantínhamos (vinculado do Programa de Pós-Graduação onde lecionamos) e na (essa foi dura) a 'expulsão' dele do aplicativo e bloqueio de sua conta (onde inclusive era usuário com pacote pago até dezembro).


Nessa hora passa tudo pela cabeça, inclusive algum tipo de medida coordenada de censura/política/diretrizes da empresa: o fato de alguns episódios estarem entre os deletados e outros não, e eventuais motivos de direitos autorais que poderiam residir em nossos outros quase 400 episódios afetarem somente esses (unidos à questão da grosseria e banimento inexplicável dele no estilo "não faça mais perguntas") dão o tom meio tresloucado que a relação de grandes empresas, aplicativos e redes andam demonstrando nos últimos tempos.


Enfim, vida que segue em tempos que são tudo, menos facilmente explicáveis.


****

Essa questão, de um jeito estranho, me recordou algumas coisas.


Recordou que já fui um ávido 'blogueiro' na primeira metade da primeira década desse milênio - momento em que 'ter um blog' (e depois 'ter um fotolog' - nessa não embarquei) era um misto de 'ter um podcast' com 'ter uma conta' em alguma rede social da moda (peculiar e saudosa interação onde a galera se insinuava na vida dos outros por recortes, relatos, arroubos ficcionais, confissões meio febris, meio constrangedoras e uma exposição maior, mais intensa, mais interessante - e mais bonita - do que pelas fotos e reels do tipo "chá de revelação" ou foto sexy na praia pós procedimentos estéticos. Ou pós separação).


Passada a primeira leva daquela moda, fechei as contas, liquidei o estoque, "vende-se o ponto" e tratei de indisponibilizar os views porque parte daquilo tinha sentido apenas durante um momento, uma onda, uma vibe - e em parte porque havia coisas que ficam altamente constrangedoras se lidas um centímetro para fora da aura catártica daqueles anos (e outras porque, bem: passei a discordar de mim mesmo em muitos aspectos, o que não tenho problema nenhum de fazer e acho saudável).


Houve um segundo momento 'bloguístico' já convivendo com a era onde eu mantinha redes sociais e eu procurava fazer alguma coisa meio perdida entre a crônica e os comentários jurídicos e misturava isso com apps de live-câmera de Twitter por vezes passando o tempo respondendo perguntas, dando alô para amigos e aceitando pedidos de músicas ambientes como um radialista mequetrefe (uma versão meio loser daquela já meio loser ambientação da loira de cabelos cacheados de One Tree Hill que ficava desenhando no quarto com uma webcam aberta - e assistida meio que por duas pessoas, sendo uma a melhor amiga, e outra o namorado da melhor amiga com quem viveria um romance, anyway, coisas).


Esse segundo momento se encerrou também definitivamente em 2015 quando lancei meu segundo livro e usei esse domínio - gabrieldivan.com - para hospedar a versão da obra disponível em .pdf e para indicar currículo e links para a compra da obra em versão física a quem interessasse (voltei a fazer isso em 2020 quando do lançamento do terceiro, mesmo esquema).


Bem: é 2025 e aqui estamos. Voltei com essa ideia de interagir e me mostrar via textos - muito embora a verve de lançar ideias ao mundo seja suprida de modo muito mais intenso e bem exitoso via podcast, o que rola já há quase dez anos, semanalmente quando não com periodicidade maior.


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No caso, o que me 'recordou', caso você esteja pensando, é que por mais sentimental e saudosista que eu seja, jamais tive problemas em simplesmente passar a régua na minha 'produção' internética, mormente agora que sabemos que saber acumulado e material solto na web é, entre outras coisas, trabalho.


Decidi que vamos ter uma experiência ainda mais radical nesse sentido e que quero convidar a você que esteja lendo isso a um jeito ainda mais diferente e inusual de aproveitar isso daqui (sou grato e positivamente surpreso pelo fato de que não passou uma semana sequer sem que o número de subscribers sofra acréscimos a cada post <3 <3 <3 como dizíamos, certa vez):


Teremos um post por semana, como tem sido. Porém, quero tornar isso aqui um caderno de insights mais intensos. Mais propositivos. Quero que seja uma espécie de vislumbre ao vivo de alguma esquina do meu inconsciente, ou um bloco de notas filosófico, ou ___ quem sabe.


Após essa semana, cada post vai neutralizar o anterior. Cada vez, como no rio de Heráclito, será tudo diferente. Um por vez, e os anteriores não serão arquivados ou ocultos, mas sumariamente apagados. Transitoriedade. Metamorfose ambulante.


****


Em um filme nacional de que gosto demais, "A Concepção" - José Eduardo Belmonte, 2006 - os personagens, socados em um apartamento funcional vago em Brasília entram em uma espiral de loucura e drogadição incentivados pelo tédio e por uma espécie de guru sombrio (vivido por Matheus Nachtergaele) e adotam uma espécie de filosofia onde tudo pode no máximo durar 24 horas e precisa, após, cambiar radicalmente: interesses musicais, personalidades, estilos de vestimenta, sexualidade, nomes, gostos pessoais. Todo o anterior precisa ser deletado e abandonado.


Não vai rolar uma Concepção aqui, juro. Mas vamos deixar algo na pedra por uma semana até ser solenemente substituída por outra.


Com isso, pretendo em um futuro próximo fazer algo que não faço e que não é parte do plano original dessa aventura, que é abrir/possibilitar comentários - não o faço porque eles em certo momento instituem um clima meio de paranoia e uma constante atenção dada que quero que seja o oposto de consultar esse espaço. Mas, quem sabe? Interações efêmeras, periódicas?


Não quero que isso daqui se pareça em nada com as redes sociais e seu frenetismo meio bizarro e, justamente por isso, a recusa em deixar um rastro à moda timeline. Uma anti-timeline. Talvez os 'comentários' sejam menos o problema do que essa estagnação anti-efemeridade e anti-finitude que a partir de agora vou combater.


Até semana que vem ;)



UM FILME: assistam A Concepção. Incrível, divertido e assustador na mesma medida.

UM DISCO: saiu o novo do Deftones, Private Music e é realmente tudo o que um fã espera. Confirmaram vinda ao Brasil semana que vem :) Será no Lollapalooza em meio a a um monte de gente que não me importa, comprimindo, certamente, a apresentação para uns 40 min :(

UM LIVRO: (comecei um esses dias, entre muita coisa de estudo que ando lendo. Acho que semana que vem relato tudo).

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